Criança também tem ansiedade ? Existe mesmo ou é só frescura ? Quais os prejuízos para a vida da criança ? Essas e outras dúvidas pedem uma explicação mais clara do que seria essa tal ansiedade.

A ansiedade é um dos temas mais falados nos últimos anos, e estima-se que 1 em cada 8 crianças apresentem quadros de ansiedade leves, moderados e graves (Fonte).

Então, sim, crianças também apresentam ansiedade, não é frescura, não é manha, ou nenhuma outra invenção.

Hoje, não vou me ater aos transtornos de ansiedade, pois é um tema que carece de mais tempo e de uma explicação um pouco mais longa. Vou focar nos aspectos sintomáticos da ansiedade em crianças e como esses sintomas podem se manifestar.

Então, primeiramente, o que seria a ansiedade ? 

O que é a Ansiedade ?

A ansiedade é um estado emocional NATURAL presente no ser humano. Ela faz parte da nossa herança filogenética e não existe um mundo sem ansiedade.

A principal função desse estado emocional é preparar nosso corpo para coisas que irão acontecer. É como se existisse um botãozinho de alerta no nosso organismo.

A questão é que esse botãozinho de alerta não muito raramente, trava, e os sinais da ansiedade começam a passar dos limites e gerar incomodo.

E quais são esses sinais ?

  • Batimento cardíaco acelerado;
  • Suor excessivo;
  • “Tremedeira”
  • Falta de ar;
  • Pensamento constante e acelerado;

Todas essas manifestações costumam produzir muitos prejuízos na vida da criança.

Vamos ver um exemplo:

Imagine que Luizinho tem uma prova de matemática daqui uma semana. Matemática está longe de ser a matéria favorita de Luizinho, inclusive suas notas anteriores não foram muito boas, o que acarretou uma serie de consequências negativas para ele. Agora, toda vez que luizinho pega o caderno para estudar matemática, seu coração vai a mil e suas pernas não param de ser mexer. Durante a aula de matemática não é diferente, quanto mais se aproxima a hora da aula, mais Luizinho sente o suor escorrer de sua testa. No dia da prova, luizinho relata estar com muita dor de barriga e os pais permitem que ele não vá a aula naquele dia.

O que aconteceu com Luizinho, é que após algumas experiencias aversivas com a matéria, qualquer estímulo que apresentasse relação com Matemática ou com a prova que estava por vir, produzia nele todos os sintomas descritos.

Todos esses sintomas provavelmente influenciaram para que ele fugisse da realização da prova. O relato então de estar com “dor de barriga” faz com que ele se livre de uma ameaça, e aí começa o maior problema da ansiedade.

Se fugir, a ansiedade não me pega

Uma característica comum em crianças que sofrem com a ansiedade, está relacionada as inúmeras tentativas de se esquivar de tudo que lhe proporciona os “sinais de alerta”. 

Quanto mais a criança se esquiva, mais os sinais se fortalecem, e com isso se generalizam para outros contextos. É como se Luizinho, além de se sentir ansioso com a aula de matemática também passasse a sentir os sintomas quando encontrasse a professora na rua.

Essas fugas e esquivas são características clássicas de crianças ansiosas (e de adultos), e a função delas é muito clara, eliminar uma situação potencialmente aversiva.

Apesar de produzir alívio momentâneo, a criança deixa de ter acesso a possíveis consequências reforçadoras das situações em que se esquiva. E isso causa um prejuízo sem tamanho no desenvolvimento.

Lembrando que comportamentos impulsivos, como comer desenfreadamente, também podem adquirir valor de esquiva dos sintomas ansiosos.

“Isso é frescura da criança”

Quem olha de fora pode achar que o que a criança relata (dores de estômago, taquicardia, tremores) são bobeirinhas, mas não tenha dúvida de que ela com certeza está vivenciando isso tudo da pior forma possível.

Dizer que é frescura, que não é nada, ou que a criança está mentindo, é mais uma experiência aversiva sendo imposta.

O que faz com que possivelmente, você (pai, mãe,tio, tia, professora), que deveria ser uma figura de proteção, passe a ser mais um estímulo para produção de sintomas ansiosos, e que no futuro será alvo da esquiva dessa criança.

O que fazer então com a ansiedade do meu filho ?

Relembrando, ansiedade é um estado natural do corpo humano. Então não é motivo de alarde se seu filho ficar “nervoso” com uma prova. O que vai definir se essa ansiedade está causando prejuízos, é o quanto ela está afetando a vida da criança.

A primeira indicação quando se percebe que uma criança apresenta sintomas ansiosos que causam prejuízo, é procurar terapia para a mesma.

Na terapia uma das principais estratégias é ensiná-la a manejar esses sintomas e gradualmente reduzir os comportamentos de fuga e esquiva que possa estar vindo a apresentar.

Segunda indicação, não seja punitivo (a).

Como disse ali em cima, a punição só aumentará a frequência e a magnitude dos sintomas, causando inclusive consequências a longo prazo.

Vale ressaltar que, depressão infantil e quadros ansiosos estão intimamente ligados. E isso é mais um motivo para a não permissão do agravamento dos sintomas.

*Clique aqui para saber um pouco mais sobre depressão infantil

Terceira indicação. Existem evidências de que exercícios físicos reduzem os sintomas de ansiedade. O que também auxilia na aquisição de habilidades sociais para enfrentamento de situações ansiogênicas.

E um último aviso. Não caia na armadilha de fortalecer as esquivas da criança para que ela não se sinta mal. Isso quer dizer que você não deve resolver TODOS os problemas por ela. Esse tipo de atitude só fortalecerá o problema.

O ideal é que a criança seja ensinada a enfrentar gradualmente as dificuldades que vai encontrando. Com apoio, carinho e atenção.

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