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Se pudesse fazer uma lista das frases que mais escuto dos pais, sem dúvida alguma colocaria a seguinte frase:

Todo dia é a mesma coisa

Pais costumam chegar cansados ao consultório relatando que já não sabem mais o que fazer em relação ao comportamento desobediente dos filhos. Hoje eu pretendo ilustrar através de uma pequena contextualização, o que costuma se observar em situações como estas quando falamos de ambiente familiar.

Segunda feira

 

Uma criança  está na fila do supermercado chorando copiosamente. A criança quer um chocolate, mesmo que a mãe já tenha comprado um chocolate para levar para a casa. Mas a criança quer aquele outro chocolate, e por conta da negativa inicial está prestes a se debater no chão. A mãe frente a situação resolve comprar aquele chocolate para acabar logo com a situação.

 

Terça Feira

 

A mãe pede para que a criança arrume seu quarto. A criança nem dá atenção. Existem outras coisas melhores a serem feitas naquele momento. A mãe pede novamente e recebe uma negativa. Naquele momento a mãe estava atrasada e precisava sair logo para o trabalho. A cama fica desarrumada e a criança continua em suas atividades.

 

Quarta feira

 

Nesse dia quem fica mais tempo com a criança é o pai. O pai decide levá-la até a pracinha próxima a casa. Chegando na pracinha a criança passa a interagir com outros de sua idade e resolve que não vai dividir seus brinquedos com os novos “amigos” que mais são considerados como invasores. Nesse meio tempo o pai percebe gritos e xingamentos, tenta de alguma forma fazer o filho dividir seus brinquedos, mas por fim acha melhor levá-lo a algum espaço que não tenham outras crianças, assim ele não terá problemas e o filho poderá brincar em “paz”.

 

Quinta Feira

 

Hora do jantar. Os pais ouvem que a criança não quer comer arroz e feijão, ela quer comer apenas a batata frita. Os pais dizem que ela precisa comer arroz e feijão porque isso a deixa forte. A criança diz que já é forte ( o que não parece tão absurdo frente as circunstâncias né?) e que vai comer só a batata frita.

Os pais dizem que não, e tentam fazê-la comer. Uma cena parecida com a do supermercado começa a acontecer, só que hoje a criança chuta quem chega perto dela. Os pais aflitos com aquilo tudo deixam que ela coma somente a batata frita. A cena de choro e agressividade cessa em segundos.

 

Sexta Feira

 

A mãe chega ao consultório de Psicologia, ouviu que casos como o filho dela só resolvem com remédio, mas decidiu dar uma chance ao Psicólogo primeiro. Alega que não sabe mais o que fazer com o filho, já tentou de tudo. E é nesse momento que surge aquela frase costumeira. ” Eu não aguento mais, todo dia é a mesma coisa..”

 

O que essa história conta..

Logicamente que está história foi criada para provar um ponto, mas vamos lá, você não vê nenhuma semelhança em experiencias da sua vida?

Como disse anteriormente, os pais chegam ao consultório muitas vezes completamente desesperados e principalmente cansados. No entanto, algumas semelhanças são visíveis em seus relatos. A facilidade com que os NÃO se tornam SIM. Seja por discordâncias nas opiniões dos pais, seja pelas dificuldades em colocar regras claras e bancá-las frente aos filhos.

Existe uma crença de que é mais fácil ceder para acabar com aquele comportamento inadequado que está ocorrendo, do que manter os acordos e regras estabelecidas. E é nesse ponto que está um gigante equívoco, a curto e a longo prazo estas ações de inconsistência comportamental irão produzir comportamentos parecidos com os relatados na história acima.

Aqui mesmo no blog escrevi um texto sobre regras que exemplifica bem situações como esta do parágrafo anterior. Deem uma olhadinha rápida saber mais. TEXTO

Importante ressaltar que pais também não são vilões que criam filhos ruins. Como diz Sidman (2001)

“As pessoas tornam-se pais sem que ninguém as tenham ensinado como dar conta desta responsabilidade”.

Não é fácil lidar com determinados comportamentos. Por isso é importante saber quando procurar ajuda. Ficam aqui algumas reflexões necessárias neste texto. Regras nada tem a ver com traumatizar a criança, se trata muito mais em mostrar que o mundo não é uma extensão de suas vontades.

E vocês pais, o que tem feito para manter os dias sempre da mesma forma ?

 

 

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