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O casamento/relacionamento acabou. Não existe mais nenhum tipo de vínculo entre as duas pessoas envolvidas. Qual a alternativa? Provavelmente a separação seja o caminho mais rápido para resolver este problema. Mas e se o casal tem filhos, o que fazer ? Como explicar para as crianças que algumas coisas não continuarão iguais ? Como garantir que nenhuma das partes seja negligente de alguma forma?

Antes de iniciar este texto, é importante destacar que não tenho a intenção de dizer que a presença dos filhos deve ser um fator que exclui a possibilidade de uma separação. E por que digo isso? Porque existe uma máxima (muito mais forte para as mulheres) de que antes de pensar em uma separação é necessário pensar nas crianças. No entanto, isso não quer dizer que alguém precisa permanecer em um relacionamento disfuncional e muitas vezes abusivo para proteger a criança, sendo que na verdade, relacionamentos conturbados mostram-se muito mais prejudiciais para as crianças.

Tendo em vista o crescente número desse fenômeno na nossa sociedade, precisamos pensar em como garantir que as crianças não sejam vítimas de eventos que deveriam envolver exclusivamente os pais.

A grande maioria dos pais após uma separação relatam que precisam proteger os filhos. Alguns chegam a terapia pensando que apenas o ato de se separar, por si só será aversivo para a criança, e acabam fechando os olhos para seus próprios comportamentos em relação a separação.

O que pode ser feito então? Como fazer com que a criança não sofra com esse evento?

Pensando nisto, gostaria de listar aqui coisas os pais NÃO devem fazer após uma separação.

Vamos lá?

 

A separação só envolve o casal e não os filhos.

 

De modo algum a separação deve incluir a criança. Tanto o pai quanto a mãe não devem se abster do contato da criança. As visitas são um fator primordial para a manutenção do vínculo entre pai/mãe e filho.

Tanto casos em que uma das partes diminui o contato, quanto aqueles em que esse contato é impedido são prejudiciais para o bem estar da criança. Ainda mais se o contato entre pai/mãe e filho era muito frequente e agora diminuirá de frequência.

A pensão ou aquela visita de meio período não são suficientes para garantir a manutenção do vínculo com a criança. Portanto, evitem o espaçamento muito longo das visitas ou a eliminação das mesmas.

É necessário destacar que aqui não estou levando em consideração casos em que devido a variáveis judiciais uma das partes será impedida de ver a criança. Neste casos provavelmente já terá sido levado em consideração a proteção e o bem estar do menor.

 

Filhos não são responsáveis por assuntos do casal

 

Pensão, ciúmes, desacordos em relação a horários de visitas, ou qualquer outro tipo de desentendimento entre o casal não deve e nem pode envolver a criança. Crianças não precisam saber que o pai não pagou a pensão pelo terceiro mês, ou que a mãe irá em alguma festa enquanto deixa o filho com o pai.

Tudo que envolve o casal não deve ser transferido para a criança. Quanto mais menores, menor é o nível de entendimento delas em relação a todas as mudanças que estão ocorrendo na sua família. Apresentar alguns problemas para as crianças pode gerar uma confusão muito grande para o entendimento dela sobre a situação.

Para as crianças é muito difícil entender que para a mãe ou para o pai o melhor horário de visita é x, ou que embora uma das partes não esteja pagando a pensão ela continua a amando enquanto filho.

Assuntos do casal são assuntos do casal. E não tem nada de “mostrar para o filho” como o pai/mãe é.

 

Combinados foram feitos para serem cumpridos

 

Se em comum acordo foi definido que as visitas serão realizadas de 15 em 15 dias e que os feriados serão divididos, isso precisa ser cumprido.

É muito comum vermos pais desmarcando visitas e programas de última hora por algum tipo de imprevisto. Obviamente imprevistos acontecem, porém, quando a frequência dos mesmos passa a ser elevada, algo está errado. As crianças as vezes esperam ansiosamente por algo que foi planejado, e uma mudança repentina pode ser algo consideravelmente difícil de se compreender e digerir.

De ambos os lados é importante que os combinados sejam cumpridos, tanto aquele vai buscar para a visita como aquele que mora com a criança não devem fazer mudanças repentinas ainda mais se a criança já está contando com esse evento.

 

Consistência continua sendo importante

 

Nada mudou em relação ao alinhamento dos pais. Ainda é necessário que as regras estabelecidas por um sejam respeitadas pelo outro. Os ambientes serão diferentes mas os pais precisam estar de comum acordo em relação as regras e limites que foram colocadas as crianças.

Se foi estabelecido pela mãe que a criança ficará sem o videogame, não é aconselhável que na casa do pai ela tenha acesso ao aparelho. Atitudes como essa ensinam para a criança que o que vale na casa de um não vale na casa do outro e as consequências disto são bem óbvias.

AQUI escrevi um artigo sobre regras e coisas que podem atrapalhar no cumprimento das mesmas, e sem dúvida alguma inconsistência entre os pais é uma delas.

 

Vai ser fácil ?

 

Não, não será fácil. Raramente uma separação ocorre de comum acordo e mesmo quando ocorre ainda existem divergências em uma série de questões. No entanto, é importante levar em consideração que a criança que está envolvida não tem absolutamente NADA a ver com as questões do casal.

Outro ponto que não abordei aqui no texto é a alienação parental. E por que fiz isso ? porque é um tema muito mais complexo e pretendo escrever um texto mais completo sobre ele logo logo.

Espero que o texto sirva de auxilio para vocês de alguma forma e que se vivenciam estas situações já comecem a pensar em como resolvê-las.

 

 

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