Escolha uma Página

Vocês já tiveram a impressão de que as regras e combinados não funcionam com as crianças ? Ou que quanto mais regras são colocadas pior é o comportamento delas ?

Pois é, hoje nós vamos falar sobre regras e limites e o porque colocar regras e estabelecer limites é uma das práticas mais importantes para o desenvolvimento infantil.

Todos nós estamos sujeitos a força das regras na nossa vida. Já pensou se não cumpríssemos com a regra de que não podemos atravessar a rua enquanto o semáforo está verde ? Provavelmente seríamos atropelados em uma das tentativas de emitir esse comportamento. Regras são relações do tipo:

SE… ENTÃO… 

Por exemplo:

Felipe você pode sair com o seu colega, porém quero que você volte para casa até as oito horas da noite para o jantar, caso você não volte nesse horário não poderá ir naquela festa no final de semana. 

Com o decorrer da vida as regras vão ficando muito mais implícitas do que explícitas como a do exemplo acima. Vide o exemplo do semáforo, não está escrito em lugar algum que não podemos atravessar a rua no semáforo verde, porém ao observarmos o ambiente percebemos que isso não é uma boa ideia.

Quando falamos de crianças, precisamos usar as regras de forma muito clara. Não basta apenas dizer que ela não pode fazer determinada coisa e somente após a emissão do comportamento aplicar algum tipo de consequência. A criança precisa ter conhecimento do que irá acontecer caso ela quebre determinado limite que foi colocado.

Então, para inicio de conversa, não existem crianças que não respondem a regras, existem regras mal formuladas.

Pensando nisso, vou enumerar 5 coisas que podem atrapalhar o cumprimento e assimilação de uma regra.

 

Fragilidade

 

Imaginem a seguinte situação:

“Um pai diz ao filho que ele não pode usar o computador após as nove horas pois precisa ir dormir. Quando são dez e meia o pai o avisa que já deveria ter desligado. Às onze horas ele avisa novamente e quando é onze e meia ele dá um grito mandando o menino ir dormir e só então o computador é desligado.”

Nesse exemplo em específico, o que foi que controlou o comportamento da criança ? Foi a regra ou o grito do pai ? A ideia passada nessa situação é que ele não precisa desligar o computador as nove horas, mas sim apenas quando o pai ficar realmente bravo. Agora imaginem o desgaste que isso causa no dia a dia.

Uma alternativa possível seria retirar os minutos excedidos no dia seguinte.

Se você coloca uma regra precisa fazer com que ela seja cumprida. A criança emitirá diversos comportamentos para testar esses limites colocados, e caso ela perceba o quão frágeis eles são, dificilmente ficará sob controle dos mesmos.

 

Coerência

 

Novamente um exemplo:

Não quero que você suje sua roupa amanhã, se sujar ficará sem jogar videogame. 

Olhando assim parece até que faz sentido, mas o que precisa ser levado em consideração é o local onde esta criança está indo. Se ela estiver indo ao parque com outras crianças dificilmente conseguirá não se sujar, a não ser que perca a experiência de brincar com os colegas.

É preciso encontrar um equilíbrio nas regras colocadas para a criança, de nada adianta encher o mundo delas de regras que fazem pouco ou nenhum sentido. Quando ficamos tão sob controle de regras rígidas acabamos deixando passar despercebidos outros comportamentos que estão sendo aprendidos.

 

Consistência

 

Regras precisam ser cumpridas. O que foi dito hoje precisa ser colocado em prática amanhã. Se você diz para seu filho que no mercado será comprado apenas um doce, mas ao primeiro sinal de choro ele ganha dois ou três, alguma coisa está errada.

As consequências descritas para a criança precisam ser apresentadas caso ela não cumpra com os combinados, senão eu estarei ensinando  que ela pode de alguma forma burlar os limites que lhe foram colocados.

Outra coisa muito frequente são os pais não entrarem em um acordo no que diz respeito as consequências. Cuidado com aquela história de “ o papai deixou”. 

 

Clareza

Um problema muito comum é a falta de clareza na formulação das regras. Como já dito antes, as regras precisam ser descritas claramente. As crianças tem muita dificuldade de entender regras implícitas em um primeiro momento.

Regras pouco claras, fazem com que as consequências também não sejam.

Por exemplo:

Clara, hoje você ficará sem o seu celular pois não arrumou seu quarto.

Ok, Clara não arrumou o quarto e vai ficar sem o celular (por quanto tempo?). Mas Clara dobrou suas cobertas e colocou o lençol na cama, o que faltou foi organizar sua mesa de estudo e guardar suas roupas. Onde está a falha ? provavelmente na descrição. 

Para Clara, arrumar o quarto é dobrar as cobertas e colocar o lençol na cama, para a mãe arrumar o quarto envolve outros comportamentos. Clara acredita que cumpriu a regra, a mãe discorda. O comportamento de clara é punido baseado no que ela deixou de fazer. Clara acreditando que cumpriu a regra e sendo punida irá emitir o comportamento de dobrar as cobertas novamente? Dificilmente ou em uma frequência menor.

Isso quer dizer que você vai ter que explicar tudo para a criança ? Sim você vai ter que explicar tudo para a criança, especialmente nas primeiras vezes.

 

Humor

 

O humor dos pais não pode ser uma variável para a imposição ou mudança de alguma regra. Não é porque seu dia foi ruim que você deve mudar uma regra por conta disso. Se você estabeleceu que a consequência para o descumprimento da regra x é y ela não pode se transformar em a de uma hora para outra. Ou decidir que seu filho não poderá mais brincar na rua naquele dia pois o seu dia foi cansativo.

Assim como o humor dos pais não deveria ser medida para a mudança de alguma regra, o da criança também não. Um choro, um brinquedo jogado na parede ou uma recusa a fazer algo não pode alterar o que já foi estabelecido.

É evidente que tem dias mais cansativos e difíceis do que outros, mas lembrem-se da importância da consistência.

 

Mas então tudo é baseado em punição?

 

Não, muito pelo contrário. O cumprimento das regras não pode ser visto como um simples “não fez mais do que a obrigação”. Isso se aplica a todos nós, mas com as crianças isso é ainda mais forte, comportamentos esperados precisam ser reforçados. Não deixe o cumprimento de alguma regra passar em branco, elogie e valorize o comportamento do seu filho. É muito mais importante valorizar os comportamentos esperados do que somente punir aqueles que não condizem com o esperado.

Alguns pontos para refletir

Regras fazem parte da nossa sociedade e é importante que as crianças aprendam a importância delas. E eu sei que conseguir aplicar regras é difícil, mas não desistam. Se alguma regra não está sendo cumprida avaliem o por que, e se necessário adaptem a regra as condições do contexto.

Lembrem-se que seu filho não vai ser criança para sempre, e não cumprir regras no futuro pode trazer consequências bem maiores do que perder um brinquedo.

Espero que de alguma forma esse texto auxilie vocês nessa caminhada tão difícil que é ensinar regras e limites para as crianças.

 

 

 

ENDEREÇO

Galeria La Caja | Praça Cel. Justiniano, 71 | Piso Superior

Centro | Cambuí/MG