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Como psicólogo estou sempre lendo o que os especialistas da internet falam sobre as crianças. Acompanho algumas revistas e tenho que admitir que estou ficando um pouco preocupado. Vou contar um pouco sobre um artigo que li essa semana e espero que eu não esteja ficando louco de me preocupar com esse tipo de informação.

O tal artigo tinha como proposta apresentar 5 formas de proteger seu filho de se ter machucados. No subtítulo ele destacava uma coisa no minimo curiosa.

Se você é mãe e tem um filho atleta aprenda como prevenir machucados.

Primeiro de tudo nenhuma criança deveria ser considerada uma atleta. O esporte na infância deve ser visto como uma diversão, e veja bem, isso não quer dizer que não será ensinado a criança a ideia do que é uma competição. Mas disso, a criar um atleta infantil temos um abismo gigantesco.

Outro ponto importante é a ênfase na figura da mãe. Por que é a mãe que tem que prevenir esses machucados ? Não é a toa que as mães estão ficando cada dia mais preocupadas com a necessidade de se proteger os filhos. 90% (porcentagem totalmente anedótica) do conteúdo voltado para a infância na mídia, toma como foco a figura da mãe.

Aliás, escrevi um texto sobre mães superprotetoras aqui, e tentei falar um pouco da influência da sociedade nesse discurso de que mães são responsáveis por todos os cuidados das crianças.

Mas voltando ao texto, como vocês podem ver já comecei a leitura com certo receio. E daí para a frente meus amigos foi só ladeira a baixo.

Por um momento eu achei que eles mencionariam a importância do uso de equipamentos de segurança, mas isso sequer é mencionado no artigo. Se usar equipamentos de segurança não é uma forma de prevenir machucados durante as atividades esportivas alguém me avise, porque o mundo já não é mais o mesmo.

No final das contas foi um texto que orientou os pais (mães no caso), a serem completamente neuróticos. Tinham dicas para não deixar as crianças praticarem um esporte fixo antes da puberdade por conta do desgaste dos mesmos músculos.

Gente, são crianças, é a fase da vida em que se tem mais energia. Lembro que por volta dos meus sete anos jogava futebol cedo, tarde e a noite e no outro dia não tinha uma dor muscular.

Sem querer fazer um resumo das paspalhices do que li, minha maior preocupação é sobre as redomas que vem sendo criadas sob as crianças. Vejam bem, estou falando dos exageros. Não dá para impedir que crianças ralem os joelhos, caiam, se choquem umas nas outras. Isso tudo faz parte de um aprendizado que se dá na prática.

Poxa qual é o problema de se machucar jogando alguma coisa? Não estou dizendo que sou a favor de braços e pernas quebrados, ninguém precisa aprender pela dor, mas não dá para garantir que isso não vá acontecer. E se acontecer tudo bem, mostre a criança como tirar disso um novo aprendizado.

A alguns anos uma marca de sabão em pó lançou uma frase que ficou marcada no imaginário social.

Se sujar faz bem!

Na época achei engraçado, mas hoje vejo uma verdade muito forte nessa frase. Toda semana sai algum texto que retira da criança a possibilidade de viver sua infância de forma saudável.

Então mães e pais, cuidado com algumas coisas que estão sendo publicadas, pois nem todas tem o intuito de auxiliar vocês. Pode ser simplesmente falta de assunto ou charlatanismo mesmo.

Um pouquinho de ansiedade quando seu filho (a) for jogar futebol ou andar de bicicleta não vai te fazer mal nenhum.

 

 

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