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Se você já e mãe, provavelmente já passou pela fase do pós parto. E se ainda não é mas pretende ser também vai vivenciar essa fase. Fase esta que é repleta de transformações físicas e emocionais que modificam significativamente a forma como a mulher enxerga o mundo a sua volta. O nome dessa fase é Puerpério e no decorrer do texto você vai ter a oportunidade de ler uma experiência real contada por uma mãe maravilhosa.

E para falar sobre essa temática tão importante eu convidei uma colega especial que vem estudando essa fase.

Quem vai escrever para vocês hoje é a Juliana Di lorenzo. Para mais informações eu deixei uma pequena bibliografia dela no final do texto.

A Ju (para os íntimos) vai contar um pouco sobre sua experiencia na maternidade e explicar alguns conceitos importantes dessa vivência.

Vamos lá !

 

O inicio…

 

Foram 39 semanas e 3 dias. Um longo período para que recebesse em meus braços aquela que se tornou a grande alegria de nossas vidas. No final da gestação fui capaz de compreender o porquê de durar nove meses. Inexplicavelmente, é o tempo necessário para que a gravidez seja recebida e aos poucos a mãe se aproprie de sua nova condição.

No primeiro trimestre, as faltas de sono normalmente se relacionam aos medos, receios, questões financeiras, coisas assim. No segundo trimestre a notícia já se espalhou, o ultrassom trás o som da vida e os palpites sobre o sexo do bebê permeiam a rotina e as conversas. Nos últimos três meses a ansiedade se instala, o cansaço aos poucos toma conta, parece sempre faltar algo a fazer, a comprar, a organizar.

Até que em um lindo e significativo dia a mãe pronuncia: “Venha, pode vir, estou preparada para te receber! ”.

No decorrer de toda a gravidez um bebê transita o imaginário da mãe, um bebê criado a partir das expectativas e desejos maternos: ”acho que os olhos serão como os do pai, mas terá o gênio da mãe!!!”, a escolha do nome, o arrumar do quartinho, atitudes saudáveis que contribuem para a promoção e criação do vínculo materno-fetal.

E no tão esperado encontro, eis que o bebê imaginário dá lugar ao bebê real…e ali, na hora do parto, nasce a mãe…

 

O nascimento da mãe

 

Daqui para frente a história é bem diferente.

O tempo que até então era vivido quase que constantemente no futuro (quando o bebê nascer…) agora é outro, as necessidades do bebê trazem a mãe para o presente: o choro, as dificuldades com a amamentação, a rotina de cuidados, diz que este bebê não pode esperar.

Outros sentimentos surgem e se apossam, a insegurança, a angústia, a sensação de incapacidade, o desamparo e, em alguns casos a melancolia. Sim, esta mãe está no puerpério.

Conceitualmente, o puerpério é o período que decorre entre o pós-parto e até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições pré-gravídicas. Esta fase também é o momento em que ocorrem intensas modificações físicas, emocionais e psicológicas nas mulheres em um curto espaço de tempo.

Na prática o pós-parto é vivido de maneira singular, o que nos diz que o puerpério é subjetivo. Este modo de olhar para tal período atravessa os estudos e os profissionais que estão preocupados com a dupla mãe/bebê, pois acreditam que o tempo para que esta relação se fortaleça e esta mãe se sinta suficientemente capaz para exercer a seu modo a maternidade é também particular, o termo conceitual torna-se assim indiferente.

Inúmeros fatores influenciam na maneira como a maternagem – e em consequência o pós-parto – irão se suceder.

 

A rede de apoio

 

Um fator relevante nessa vivência é a Rede de Apoio.  Ela atua no sentido de promover amparo e suporte psico-afetivo e emocional à mulher. Uma rede protetiva, tecida e fortalecida em conjunto que age à favor do bem estar da recém-mamãe, o que contribui para que ela esteja segura para se relacionar sem grandes medos com o filho(a) que ali se mostra.

E assim o inverso também é possibilitado, este bebê passa a ter a oportunidade de conhecer a mulher que lhe deu a vida, conhecer a dona da voz que durante o período gestacional o embalou, conhecer de quem é aquele coração que constantemente pulsou em seus ouvidos…este é o estado de fusão mãe-bebê…quando o vínculo realmente acontece.

A Rede de Apoio é formada pelo companheiro, familiares, amigos, padrinhos e profissionais. Pessoas que proporcionem confiança para a mulher, que sejam sensíveis para acolher as questões que por ventura vierem a surgir, e que se ocupem dos cuidados dispensados à mãe, deixando-a livre para cuidar de seu bebê a seu modo.

Esta é a melhor e mais sensata maneira de realmente oferecer ajuda a uma mãe recém-nascida, possibilitando que ela seja de fato mãe e que fique o tempo que for necessário ali, juntinha, grudadinha com o seu bebê.

Não tenho a intenção de desanimar a tentantes que pretendem se tornar mães, longe de mim. Pois, todo este processo se faz necessário.

Foi preciso que eu retomasse a criança que habitava em mim, que resgatasse o meu lugar de filha, que ouvisse meus instintos maternos, que compreendesse que a maternidade é romantizada e que há um período que é ignorado e negligenciado, e hoje, também sou capaz de entender o porquê deste fenômeno.

Se pensarmos na publicidade, não haverá grandes lucros retratando o sofrimento de uma mãe em construção, se pensarmos no porquê das outras mães não nos alertarem, creio que o motivo seja bem simples, passado esse período, quando a mulher se apropria deste lugar de mãe (que é só dela), quando se sente empoderada da maternidade que exerce, quando a segurança enfim se fizer presente, nada deste mundo é capaz de diminuir o brilho de uma mãe ao olhar para sua cria.

Juliana Di Lorenzo é Psicóloga Clínica, Instrutora do Método Dance Mãe Bebê, Discente na formação em Psicologia do Puerpério, Discente na formação em Educação Perinatal, Idealizadora do Projeto Ser-Plural e uma ETERNA MÃE EM CONSTRUÇÃO

 

 

 

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