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Que precisamos falar sobre bullying todos nós (espero) sabemos. Mas por que?

Nunca se falou tanto em bullying como nos últimos tempos. Casos e mais casos inundam as redes sociais e as mídias. Toda semana surge uma nova notícia ou artigo sobre o tema.

Como uma resposta rápida a pergunta do título, podemos pensar que precisamos falar sobre o bullying porque ele existe. Não, ele não é uma frescura, ele não é uma invenção da sociedade contemporânea, ele existe e acontece diariamente em nossas escolas.

Você que é mãe ou pai, imagine por um momento que seu filho (a) pode estar sendo alvo de “brincadeiras” constantes e diárias, que a cada dia ele se sente pior com essas interações, e que quanto mais o tempo passa menor é a perspectiva de que as coisas mudem.

Mas não se esqueça de imaginar também, que seu filho (a)  pode estar sendo o agressor, que todos os dias ele escolhe um aluno por qualquer característica arbitrária e o atormenta, ameaçando, agredindo, ofendendo e que a cada dia ele se sente melhor com a sensação de poder que essa interação lhe traz.

Imaginou?

Talvez você esteja se perguntando:

Tudo bem, mas o que eu posso fazer para descobrir se algo do tipo está acontecendo?

E é aqui que entra a motivação desse texto.

Vou apresentar para vocês um pouco sobre:

Vamos lá!

O que é o Bullying

 

Antes de dizer o que é o bullying é necessário dizer o que ele não é. Bullying não é aquele apelido em que todos riem. Bullying não é aquela brincadeira que aconteceu um único dia e não se repetiu porque uma das partes não gostou.

É comum ouvirmos frases do tipo:

Na minha época não tinha nada disso.

Essa geração está muito cheia de mimimi

Bullying é uma mentira.

Uma coisa precisa ficar bem clara antes de continuarmos.

Sua ÚNICA experiência não condiz totalmente com a realidade, visto que pesquisas científicas com um número muito maior de sujeitos, mostram como o bullying tem sido danoso para crianças e adolescentes.

Então quando escutar alguém falando esse tipo de coisa, não seja um multiplicador, questione.

O bullying é uma situação caracterizada por agressões que são intencionais, podendo ser verbais ou físicas e que ocorrem repetitivamente por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.

Podemos enxergar o bullying como uma relação de dominação em que uma ou mais pessoas visam subjugar uma ou mais pessoas através do exercício do poder.

Aposto que se voltarmos um pouco na nossa história, com toda certeza do mundo vamos nos lembrar de situações similares a essa definição. Antes de continuar neste texto tente fazer isso.

As consequências que o bullying traz

 

Quando fazem alguma brincadeira de mal gosto com você, como você se sente?

Provavelmente bem é que não é.

Agora imagine que essa “brincadeira” acontece todos os dias? E ela é feita por várias pessoas ao mesmo tempo.

Façamos uma analogia com o contexto escolar.

Os alunos vítimas do bullying em sua grande maioria não pedem ajuda para os pais ou para os professores. Todos os dias enfrentam sentimentos como medo e vergonha. Por isso não é estranho quando estes alunos passam a desenvolver estratégias para não frequentar a escola.

Por que as vítimas do bullying não pedem ajuda?

Simplesmente porque não se sentem seguras para fazer isso. Embora isso seja assunto para um outro texto, é importante destacar que temos pais e escolas hoje que não estabelecem relações de confiança com seus filhos e alunos.

Você pediria ajuda para alguém se a expectativa fosse a de ser mais punido ainda ?

As agressões constantes agem diretamente na autoestima desses alunos. A jornada escolar passa a ser considerada como algo aversivo. Um espaço que deveria proporcionar experiencias positivas, passa a ser visto como um calvário.

As vítimas de bullying normalmente apresentam:

  • Desinteresse em frequentar a escola;
  • Baixo desempenho escolar;
  • Angústia;
  • Ansiedade;
  • Depressão
  • Baixa autoestima;

As pesquisas tem mostrado que indivíduos que sofreram bullying na infância e adolescência apresentam maiores dificuldades de comunicação e podem vir a desenvolver transtornos de humor e de ansiedade como depressão e síndrome do pânico.

Mas como identificar quem sofre com o bullying se eles não se manifestam?

Continue lendo e vamos ver quem são as vítimas e quem são os agressores.

Quem são as vítimas e quem são os agressores

 

É agora que as coisas ficam um pouco mais complicadas.

Algumas pesquisas mostram que as vítimas do bullying normalmente apresentam características físicas ou comportamentais que são vistas como diferentes pelo grupo social em que estão inseridas. Crianças que apresentam um baixo repertório de enfrentamento também são alvos em potencial.

Quanto ao agressor podemos pensar em várias motivações para o comportamento do mesmo. Mas talvez a mais clara seja o quanto seu comportamento é reforçado por seus pares. Dificilmente um agressor tem consequências que não produzem reforço, os colegas estão constantemente rindo de suas piadas e valorizando sua forma de agir.

Temos dois tipos de agressores. Os ativos e os passivos. E como disse, é aqui que as coisas ficam um pouco mais complexas.

Agressor ativo é aquele pratica o ato em si, provocando, humilhando e agredindo o outro.

Agressor passivo é aquele que reforça o comportamento do agressor ativo, rindo das piadas, e consequentemente reforçando socialmente o comportamento do outro. Esses agressores favorecem que o ciclo de violência continue ocorrendo.

Não existe uma única resposta para dizer o porque uma criança/adolescente se torna um agressor. As explicações são individuais e estão na história de vida de cada um. Mas o reforçamento social é um mantenedor dos comportamentos agressivos em grande parte dos casos.

Em alguns casos a vítima reproduz a violência que sofre com outras pessoas. Ela passa a buscar outros alvos para redirecionar a violência que sofre e deixar de ser o alvo. É muito comum que crianças que já sofreram bullying se tornem agressores no futuro.

Nem toda vítima se torna um agressor, mas todo agressor em algum momento foi vítima.

Percebem o quanto é difícil falar de vítima e agressor? Eles se misturam em alguns casos.

Ficar atento as interações de seus filhos e alunos é mais do que necessário.

Para os pais

  • Observar como seu filho se dirige aos amigos;
  • Prestar atenção se ele chega com objetos que não são dele em casa;
  • Identificar se ele possui amigos;
  • Quantas vezes ele tem pedido para não ir a escola?

Para os professores

  • Seus alunos excluem ou incluem outras crianças nas atividades?
  • Algum aluno fica isolado da turma?
  • Como os alunos reagem a piadas ofensivas dirigidas para um outro aluno?
  • Como as diferenças individuais são vistas pela turma?

O que podemos fazer

 

Tudo bem, sabemos que o bullying é uma relação de poder em que um visa subjugar o outro. Sabemos que o bullying traz consequências aversivas para o aluno atacando sua autoestima, favorecendo a depressão e a ansiedade. E também sabemos que existem diferentes tipos de agressores (ativos e passivos) assim como as vítimas possuem algumas características que são alvos da violência.

Mas o que pode ser feito?

Muito tem se falado na necessidade de trabalhar as habilidades sociais das vítimas para enfrentarem a violência que sofrem. Visto que as vítimas costumam apresentar um baixo repertório no que diz respeito a serem assertivas, trabalhar esses aspectos é necessário.

Um outro caminho, muito menos falado (sabe lá por que) é o trabalho com os agressores. É muito importante que os alunos que praticam o bullying recebam também algum tipo de intervenção. Práticas interventivas que visem o desenvolvimento de empatia e respeito às diferenças são urgentes.

Se você não sabe por onde começar, comece ensinando seu filho que piada é muito diferente de humilhação. Que o humor só é válido se ambos conseguem rir da situação. E principalmente mostrem que não é agredindo que eles serão respeitados.

E professores, é chegada a hora de agir. Discutam isso em sala de aula, chamem os pais caso percebam algo de estranho acontecendo em sua sala. Não deixem essas violências passarem em branco.

Algumas ações

  • Notificar os responsáveis pelas crianças/adolescentes;
  • Em casos mais extremos com ameaças de morte, publicações de fotos, procure a polícia;
  • Procure um profissional para auxiliar a criança/adolescente com as consequências da violência;

Como vocês podem ver, resolver o problema do bullying não é das tarefas mais fáceis. Mas isso não quer dizer que devemos fechar os olhos para isso e negar uma realidade que é tão perturbadora.

E ainda não falei do cyber bullying, que será tema para um novo texto.

Espero que o texto contribua para a trajetória de vocês e que compartilhem com aqueles que precisam dessas informações.

 

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